
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
Mais hidrelétricas na Amazônia
Governo lança seus planos de expansão energética. No horizonte, mais emissão de CO2 e mais represas. Gerações eólica e solar continuam abaixo do nosso potencial.
Ontem saiu finalmente a nova versão do Plano Decenal de Expansão Energética, PDE 2010-2019. O plano anual, que projeta o crescimento da oferta energética para os próximos dez anos, era prometido desde o começo do ano. A última versão, lançada no final de 2008, foi criticada pela grande participação de termelétricas fósseis na geração elétrica.
A expectativa, criada pelo governo, era de que a grande quantidade de térmicas fósseis prevista para entrar em operação fosse eliminada desta atualização do plano, o que não aconteceu. Desta vez a expansão de termelétricas movidas a combustíveis fósseis foi reduzida, mas ainda mostra um crescimento incompatível um país com tanto potencial de energia renovável. A capacidade instalada, que era projetada em 14 mil MW no PDE de 2008, foi reavaliada para 9 mil MW, sendo que todas estas usinas seriam construídas até 2014.
O crescimento das térmicas a carvão, portanto, chega a 80% e de óleo combustível a 170%. Como resultado disto, as emissões do setor elétrico dobram no período, de 26 para 51 milhões de toneladas equivalentes de CO2 até o fim da década, um movimento na contramão dos esforços globais de redução de gases de efeito estufa.
Após este período, a grande parte do aumento da geração virá da geração hidrelétrica – teremos o equivalente a três Belo Monte em capacidade instalada de novas usinas de grande porte. A maioria delas na Amazônia – colocando a região sob risco de novos impactos ambientais e de aumentar a pressão do desmatamento.
As outras renováveis receberam um tratamento mais favorável em relação ao plano de 2008, mas ainda modesto em relação ao potencial nacional de exploração destas fontes. O número de parques eólicos deve crescer nos próximos dez anos, considerando a construção de projetos do Proinfa e do primeiro leilão de eólicas realizado no ano passado. Mas o número final de 6 mil MW assume que após o leilão de renováveis marcado para este ano, teríamos apenas mais uma licitação deste tipo durante todo o resto da década, o que é muito pouco diante do potencial eólico brasileiro e da demanda do setor de realização de um leilão por ano.
As usinas a biomassa passariam de 5,4 para 8,5 mil MW, uma expansão maior do que a apontada no plano anterior, mas novamente aquém do potencial brasileiro de geração de duas Itaipus apenas com a cogeração da cana-de-açúcar, até o fim da década. Sobre energia solar, absolutamente nenhuma menção é feita ao potencial de geração de painéis fotovoltaicos.
Na área nuclear, o plano continua considerando a construção da controversa usina de Angra 3, apesar de todos os questionamentos em relação à segurança da usina, dos custos subdimensionados e da falta de solução para a estocagem de resíduos radioativos, entre inúmeros outros problemas.
Por fim, o crescimento da oferta de energia ainda é projetado em 56% nos próximos 10 anos, valores exagerados para o aumento da carga neste período, especialmente se considerarmos que o ano de 2009 registrou uma redução de consumo como reflexo da crise econômica. O grande potencial de ações de eficiência energética foi novamente negligenciado. A participação destas ações é restrita a apenas 3,2% de redução do consumo destes próximos dez anos. De acordo com o cenário [R]evolução Energética, do Greenpeace, é possível conseguir mais de 10% de redução de demanda até 2020, considerando a aplicação de medidas em todos os setores de consumo.
A todos os interessados em contribuir com críticas e sugestões ao plano, a consulta pública está aberta até o dia 2 de junho. Os contatos para envio são o e-mail pde2019@mme.gov.br ou o endereço: "Ministério de Minas e Energia – MME, Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético – SPE, Esplanada dos Ministérios, Bloco U, Sala 509, Brasília-DF, CEP 70.065-900.
Ontem saiu finalmente a nova versão do Plano Decenal de Expansão Energética, PDE 2010-2019. O plano anual, que projeta o crescimento da oferta energética para os próximos dez anos, era prometido desde o começo do ano. A última versão, lançada no final de 2008, foi criticada pela grande participação de termelétricas fósseis na geração elétrica.
A expectativa, criada pelo governo, era de que a grande quantidade de térmicas fósseis prevista para entrar em operação fosse eliminada desta atualização do plano, o que não aconteceu. Desta vez a expansão de termelétricas movidas a combustíveis fósseis foi reduzida, mas ainda mostra um crescimento incompatível um país com tanto potencial de energia renovável. A capacidade instalada, que era projetada em 14 mil MW no PDE de 2008, foi reavaliada para 9 mil MW, sendo que todas estas usinas seriam construídas até 2014.
O crescimento das térmicas a carvão, portanto, chega a 80% e de óleo combustível a 170%. Como resultado disto, as emissões do setor elétrico dobram no período, de 26 para 51 milhões de toneladas equivalentes de CO2 até o fim da década, um movimento na contramão dos esforços globais de redução de gases de efeito estufa.
Após este período, a grande parte do aumento da geração virá da geração hidrelétrica – teremos o equivalente a três Belo Monte em capacidade instalada de novas usinas de grande porte. A maioria delas na Amazônia – colocando a região sob risco de novos impactos ambientais e de aumentar a pressão do desmatamento.
As outras renováveis receberam um tratamento mais favorável em relação ao plano de 2008, mas ainda modesto em relação ao potencial nacional de exploração destas fontes. O número de parques eólicos deve crescer nos próximos dez anos, considerando a construção de projetos do Proinfa e do primeiro leilão de eólicas realizado no ano passado. Mas o número final de 6 mil MW assume que após o leilão de renováveis marcado para este ano, teríamos apenas mais uma licitação deste tipo durante todo o resto da década, o que é muito pouco diante do potencial eólico brasileiro e da demanda do setor de realização de um leilão por ano.
As usinas a biomassa passariam de 5,4 para 8,5 mil MW, uma expansão maior do que a apontada no plano anterior, mas novamente aquém do potencial brasileiro de geração de duas Itaipus apenas com a cogeração da cana-de-açúcar, até o fim da década. Sobre energia solar, absolutamente nenhuma menção é feita ao potencial de geração de painéis fotovoltaicos.
Na área nuclear, o plano continua considerando a construção da controversa usina de Angra 3, apesar de todos os questionamentos em relação à segurança da usina, dos custos subdimensionados e da falta de solução para a estocagem de resíduos radioativos, entre inúmeros outros problemas.
Por fim, o crescimento da oferta de energia ainda é projetado em 56% nos próximos 10 anos, valores exagerados para o aumento da carga neste período, especialmente se considerarmos que o ano de 2009 registrou uma redução de consumo como reflexo da crise econômica. O grande potencial de ações de eficiência energética foi novamente negligenciado. A participação destas ações é restrita a apenas 3,2% de redução do consumo destes próximos dez anos. De acordo com o cenário [R]evolução Energética, do Greenpeace, é possível conseguir mais de 10% de redução de demanda até 2020, considerando a aplicação de medidas em todos os setores de consumo.
A todos os interessados em contribuir com críticas e sugestões ao plano, a consulta pública está aberta até o dia 2 de junho. Os contatos para envio são o e-mail pde2019@mme.gov.br ou o endereço: "Ministério de Minas e Energia – MME, Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético – SPE, Esplanada dos Ministérios, Bloco U, Sala 509, Brasília-DF, CEP 70.065-900.
O debate florestal nas ruas
Passando por oito capitais, o Homem-Motosserra chama atenção para a ameaça das mudanças no Código Florestal, que ruralistas tentam aprovar.
No último fim de semana, os ativistas do Greenpeace foram para as ruas de Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo e carregaram junto o Homem-Motosserra, paródia dos políticos que querem dar fim ao Código Florestal – lei que protege nossas matas desde 1934. Em dois dias, 4.819 pessoas aderiram à petição contra as mudanças na legislação ambiental. Somadas às assinaturas colhidas virtualmente, o número já chega a mais de 50 mil.
Com uma motosserra na mão e outra estampada no peito, o personagem chamou atenção para um assunto que deve ser discutido por toda a população: o futuro das florestas e, portanto, do país. No entanto, esse debate está hoje nas mãos de um grupo de deputados ruralistas, a bancada da motosserra, que tenta empurrar mudanças via uma comissão especial da Câmara, e em pleno ano eleitoral.
No último fim de semana, os ativistas do Greenpeace foram para as ruas de Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo e carregaram junto o Homem-Motosserra, paródia dos políticos que querem dar fim ao Código Florestal – lei que protege nossas matas desde 1934. Em dois dias, 4.819 pessoas aderiram à petição contra as mudanças na legislação ambiental. Somadas às assinaturas colhidas virtualmente, o número já chega a mais de 50 mil.
Com uma motosserra na mão e outra estampada no peito, o personagem chamou atenção para um assunto que deve ser discutido por toda a população: o futuro das florestas e, portanto, do país. No entanto, esse debate está hoje nas mãos de um grupo de deputados ruralistas, a bancada da motosserra, que tenta empurrar mudanças via uma comissão especial da Câmara, e em pleno ano eleitoral.
http://www.flickr.com/photos/greenpeacebrasil/sets/72157624126489122/show/
No último fim de semana, os ativistas do Greenpeace foram para as ruas de Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo e carregaram junto o Homem-Motosserra, paródia dos políticos que querem dar fim ao Código Florestal – lei que protege nossas matas desde 1934. Em dois dias, 4.819 pessoas aderiram à petição contra as mudanças na legislação ambiental. Somadas às assinaturas colhidas virtualmente, o número já chega a mais de 50 mil.
Com uma motosserra na mão e outra estampada no peito, o personagem chamou atenção para um assunto que deve ser discutido por toda a população: o futuro das florestas e, portanto, do país. No entanto, esse debate está hoje nas mãos de um grupo de deputados ruralistas, a bancada da motosserra, que tenta empurrar mudanças via uma comissão especial da Câmara, e em pleno ano eleitoral.
No último fim de semana, os ativistas do Greenpeace foram para as ruas de Belo Horizonte, Brasília, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo e carregaram junto o Homem-Motosserra, paródia dos políticos que querem dar fim ao Código Florestal – lei que protege nossas matas desde 1934. Em dois dias, 4.819 pessoas aderiram à petição contra as mudanças na legislação ambiental. Somadas às assinaturas colhidas virtualmente, o número já chega a mais de 50 mil.
Com uma motosserra na mão e outra estampada no peito, o personagem chamou atenção para um assunto que deve ser discutido por toda a população: o futuro das florestas e, portanto, do país. No entanto, esse debate está hoje nas mãos de um grupo de deputados ruralistas, a bancada da motosserra, que tenta empurrar mudanças via uma comissão especial da Câmara, e em pleno ano eleitoral.
http://www.flickr.com/photos/greenpeacebrasil/sets/72157624126489122/show/
Cidades que não destroem a floresta
Limpar a ilegalidade a cadeia de produção de madeira, que rege sua retirada da Amazônia, dá trabalho. Mas também dá resultados positivos quando o governo compra a causa.
O governo de São Paulo fechou as portas do Estado para madeira ilegal. A cidade de Americana, no interior paulista, há três anos incluiu como critério de compra nas licitações municipais a madeira de origem legal. São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, construiu a primeira obra pública realizada totalmente com madeira certificada pelo FSC, que segue parâmetros sociais e ambientais.
Esses são alguns exemplos de sucesso do programa "Cidade Amiga da Amazônia", que cresceu tanto a ponto de englobar também Estados. São também amostras de que é possível construir parcerias positivas para coibir a exploração injustificada da Amazônia.
Durante cinco anos, prefeituras e governos trabalharam com o Greenpeace para criar uma legislação municipal e eliminar a madeira de origem ilegal e de desmatamentos criminosos de todas as compras municipais. Governos estaduais e municipais têm uma grande responsabilidade em provocar uma mudança no consumo de madeira pela administração pública, pois respondem por um terço desse mercado no Brasil.
A floresta amazônica vira diversos tipos de produtos como móveis, forros, pisos, esquadrias e casas pré-fabricadas. O setor de construção civil também usa muita madeira na fundação e estruturação das obras, para marcar e nivelar o terreno, nas formas de concreto e também em acabamentos como portas e janelas.
Antes de o Greenpeace chamar a atenção para o problema, muita madeira amazônica era retirada de forma ilegal e predatória, pois é mais barato assim. Afinal, quem não segue a lei não paga impostos, remunera mal os empregados e comumente invade áreas públicas ou protegidas, ação promovida por grileiros e madeireiros mal-intencionados para conseguir matéria-prima. Essa madeira extraída de forma irregular é muito menos custosa do que a produzida em planos de manejo sustentável, que demandam conhecimento técnico, documentação regular e responsabilidade social.
Assim, a madeira de origem ilegal domina o mercado por conta da abundância e do preço baixo, e quem compra esse produto é conivente com a ilegalidade. Ao participar de um projeto que visa a limpar a cadeira de produção, prefeituras e governos estaduais contribuem de forma concreta para mudar esse quadro. É o mercado consumidor fazendo a sua parte para garantir um futuro para a maior floresta tropical do planeta e condições decentes de sobrevivência aos seus 20 milhões de habitantes.
Os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Acre já aderiram, além de 32 cidades incluindo as capitais Fortaleza (CE), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Hoje, o programa Cidade Amiga Amazônia está sob a guarda da Fundação Getúlio Vargas, que ampliou sua atuação e abrangência. No site da Rede Amigos da Amazônia (www.raa.org.br), é possível conferir se sua cidade aparece na lista de lugares que protegem a floresta. Se ela não está lá, leve a questão para a prefeitura e exija respostas concretas.
O governo de São Paulo fechou as portas do Estado para madeira ilegal. A cidade de Americana, no interior paulista, há três anos incluiu como critério de compra nas licitações municipais a madeira de origem legal. São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, construiu a primeira obra pública realizada totalmente com madeira certificada pelo FSC, que segue parâmetros sociais e ambientais.
Esses são alguns exemplos de sucesso do programa "Cidade Amiga da Amazônia", que cresceu tanto a ponto de englobar também Estados. São também amostras de que é possível construir parcerias positivas para coibir a exploração injustificada da Amazônia.
Durante cinco anos, prefeituras e governos trabalharam com o Greenpeace para criar uma legislação municipal e eliminar a madeira de origem ilegal e de desmatamentos criminosos de todas as compras municipais. Governos estaduais e municipais têm uma grande responsabilidade em provocar uma mudança no consumo de madeira pela administração pública, pois respondem por um terço desse mercado no Brasil.
A floresta amazônica vira diversos tipos de produtos como móveis, forros, pisos, esquadrias e casas pré-fabricadas. O setor de construção civil também usa muita madeira na fundação e estruturação das obras, para marcar e nivelar o terreno, nas formas de concreto e também em acabamentos como portas e janelas.
Antes de o Greenpeace chamar a atenção para o problema, muita madeira amazônica era retirada de forma ilegal e predatória, pois é mais barato assim. Afinal, quem não segue a lei não paga impostos, remunera mal os empregados e comumente invade áreas públicas ou protegidas, ação promovida por grileiros e madeireiros mal-intencionados para conseguir matéria-prima. Essa madeira extraída de forma irregular é muito menos custosa do que a produzida em planos de manejo sustentável, que demandam conhecimento técnico, documentação regular e responsabilidade social.
Assim, a madeira de origem ilegal domina o mercado por conta da abundância e do preço baixo, e quem compra esse produto é conivente com a ilegalidade. Ao participar de um projeto que visa a limpar a cadeira de produção, prefeituras e governos estaduais contribuem de forma concreta para mudar esse quadro. É o mercado consumidor fazendo a sua parte para garantir um futuro para a maior floresta tropical do planeta e condições decentes de sobrevivência aos seus 20 milhões de habitantes.
Os Estados de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Acre já aderiram, além de 32 cidades incluindo as capitais Fortaleza (CE), Manaus (AM), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Hoje, o programa Cidade Amiga Amazônia está sob a guarda da Fundação Getúlio Vargas, que ampliou sua atuação e abrangência. No site da Rede Amigos da Amazônia (www.raa.org.br), é possível conferir se sua cidade aparece na lista de lugares que protegem a floresta. Se ela não está lá, leve a questão para a prefeitura e exija respostas concretas.
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